Incontinência Urinária

 

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Dra. Ana Flávia Carvalho de Lima
– Jataí, GO
Fisioterapeuta Pélvica
CREFITO-11 92.835-F

 

 

Incontinência Urinária é a perda involuntária de urina. Os homens e crianças também são afetados, porém, é mais frequente nas mulheres. A incidência da incontinência urinária na mulher aumenta com a idade, atingindo 25% após a menopausa. É uma das novas epidemias do século XXI, e tem sido considerado um sério problema de saúde pública. Estima- se que apenas uma em cada quatro mulheres sintomáticas procuram ajuda profissional, pois se sentem constrangidas em falar sobre o assunto até com familiares e amigos, já que é considerada de forma errônea, uma consequência natural da idade e que não há tratamento eficaz.

Pessoas que sofrem desse distúrbio, especialmente se forem idosas, apresentam também problemas psicossociais, como a perda da autoestima, isolamento social e o constrangimento. Portanto, a incontinência urinária traz ao indivíduo importantes repercussões físicas, emocionais, econômicas, sexuais e sociais.

Os fatores de risco mais importantes são os partos vaginais, cirurgias pélvicas extensas e outros traumas na região pélvica, assim como o avanço da idade, obesidade, menopausa, prolapsos, sedentarismo e tabagismo.

Existem vários tipos de Incontinência Urinária (IU), sendo as mais frequentes na mulher a IU de esforço, IU de urgência, IU mista e IU por transbordamento.

A Incontinência Urinária de Esforço (IUE) é definida, segundo a Sociedade Internacional de Continência (“International Continence Society”), como a perda involuntária da urina pelo óstio uretral externo (uretra), secundária ao aumento da pressão abdominal, na ausência de contração do detrusor (músculo que envolve a bexiga), como por exemplo; ao tossir, espirrar, pular, deambular, mudar de posição e rir intensamente. É o tipo mais comum de IU, e sua prevalência nas mulheres pode variar de 15 a 56%, dependendo da população.

A Incontinência Urinária de Urgência (IUU) é uma das formas de apresentação da Síndrome da Bexiga Hiperativa. Caracteriza-se por uma urgência (uma vontade forte e inadiável de urinar), com ou sem incontinência urinária, geralmente associada à polaciúria (aumento do número de micções diárias) e a noctúria (aumento do número de micções noturnas). Está normalmente associada a alterações na contratilidade do músculo detrusor e/ou a alterações na sensibilidade e complacência vesical. Quando esse fenômeno não é precedido da sensação de urgência miccional, chamamos de Incontinência Reflexa (IUR).

A urgência surge frequentemente associada a gestos simples do dia-a-dia, como por exemplo; lavar a louça ou a introdução da chave na porta ao chegar a casa, e pode ser agravada pelo consumo excessivo de café, chá ou álcool, apesar de poder ser provocada também por causas neurológicas.

Incontinência Mista (IUM) corresponde à combinação dos dois tipos de incontinência descritos acima (de esforço e urge-incontinência).

Incontinência por transbordamento ocorre quando a bexiga fica tão cheia que chega a transbordar. Pode ser causada pelo enfraquecimento do músculo da bexiga ou pela obstrução à saída de urina.

O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado numa história bem colhida, embora possa ser confirmado por meios auxiliares de diagnóstico (teste e exames).

Cerca de um terço das mulheres incontinentes apresentam um ponto intermédio entre a incontinência de esforço e de urgência, nestes casos, deve-se tentar determinar quais os sintomas predominantes e que mais incomodam a doente, pois são estes que determinam a estratégia terapêutica.

Portanto o tratamento vai depender do tipo e das causas da incontinência urinária, podendo ser cirúrgico ou conservador. O tratamento conservador da Incontinência Urinária incluem tratamento Farmacológico e Fisioterapêutico.

A Fisioterapia Uroginecológica é um método não invasivo de tratamento, de baixo risco, pouco dispendioso e pode se constituir numa estratégia de tratamento efetiva e conservadora na recuperação das funções fisiológicas, causando uma melhora da musculatura do assoalho pélvico. Comprovadamente, 80% das incontinências podem ser curadas ou melhoradas, e quanto mais precoce for o encaminhamento do paciente para a fisioterapia, maior será a chance de sucesso deste tratamento.

A Reeducação Pélvica Perineal, Exercícios de Kegel, Biofeedback, Cones Vaginais, Eletroestimulação, Terapia Manual para Reeducação e Propriocepção; Massagem Perineal, Exercícios Específicos, Terapia Comportamental, incluindo mudanças de hábitos, Diário Miccional e outros, são algumas técnicas Fisioterapêuticas que podem ser utilizadas como forma de tratamento e também preventivamente. O fortalecimento desses músculos é muito importante não só na gestão da incontinência urinária, mas sim durante toda a vida.

Referências Bibliográficas

SILVA, C.; BOTELHO, C & BOTELHO, F. Incontinência Urinária Feminina. Acta Urológica, 2007.

HONÓRIOL, M.O & SANTOS, S.M.A. Incontinência urinária e envelhecimento: impacto no cotidiano e na qualidade de vida. Universidade Federal de Santa Catarina. Departamento de Enfermagem. Florianópolis, SC, 2008.

PAULA, A.B; RODRIGUES, A.B.C & OLIVEIRA, K.A.C. Técnicas Fisioterapêuticas no Tratamento e Prevenção da Incontinência Urinária de Esforço na Mulher. Artigo Publicado na Revista Eletrônica F@pciência, Apucarana-PR, v.1, n.1, 31-40, 2007.